uhihoohi

Hoje estava me lembrando daquela praia. A água não era tão limpa. A areia não era tão branquinha. O céu não estava no seu mais lindo azul. O sol não estava queimando minha pele branca, mas o mormaço é sempre pior devido aos meus olhos claros. Você sabia disso e me emprestou seu boné e seus óculos escuros. Me deu aquela bronquinha de leve, dizendo que eu sou muito desligada e que devo lembrar desses detalhes. Eu sorri e disse que a culpa era sua, estava me deixando mal acostumada. E realmente estava, cuidava de mim com uma doçura que eu jamais havia visto em alguém. Nós sentamos na areia, conversamos sobre a vida, sobre nossos sonhos e medos. Eu disse que naquele momento, meu maior medo era perder você. Você se lembra? Me deu aquele abraço forte e ao mesmo tempo aconchegante e disse que isso jamais aconteceria. Disse também que o nosso amor venceria qualquer coisa, que nós dois passaríamos por cima de qualquer problema. Eu fiquei te olhando, como se não tivesse certeza daquilo e você me fez acreditar. Seu olhar, suas mãos nas minhas, suas palavras cheias de convicção, tudo isso me fazia esquecer que existia um mundo ali fora. Não precisávamos estar no melhor cenário do mundo pra fazer tudo ser maravilhosamente perfeito. Você sabia me deixar segura e me arrancava os meus melhores sorrisos, sorrisos esses que nunca mais soube dar. Eles foram embora junto com sua promessa quebrada, antes mesmo de me dizer que não dava mais. Eles foram embora no momento que eu percebi que seu olhar não tinha mais o mesmo brilho intenso e que seu riso não era mais tão feliz comigo. Lembra das vezes que tocou essa música pra mim no violão? Eu nunca vou me esquecer da sua voz suave e dos nossos beijos trocados depois de cada canção. Hoje, a dor é profunda. E dói mais ainda a dúvida de onde todos esses sentimentos foram parar; como pôde apagar tudo isso? Essas palavras são só pra te lembrar que sinto sua falta e que toda parte que você preenchia no meu coração está repleta de um vazio sem fim.

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Aquele ônibus

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Peguei aquele ônibus de novo, depois de tanto tempo. Passei pela roleta, estava vazio, pude sentar na janela. Não sei se isso foi uma boa ideia… Comecei a ver todos aqueles lugares que um dia já estivemos e o aperto foi tomando conta do meu peito. Aquele ponto que ficávamos juntos, aquele quebra-molas que a gente pulava quando passava, o ponto que eu descia quando ia para sua casa e aquele outro que você me deu o primeiro beijo. Passei por aquela rua que você me deu a mão pela primeira vez e por aquela praça que tem o nosso nome gravado em um banco qualquer. Passei por aquele restaurante que você me levou para almoçar, pela escola onde tudo começou e pelo caminho que fazíamos todos os dias. A essa altura, os óculos escuros já não eram mais suficientes para esconder as lágrimas e eu dei graças a Deus por não ter ninguém sentado ao meu lado, porque provavelmente até o motorista, sentado bem mais na frente, estava conseguindo ouvir meus soluços. Fechei os olhos com força, respirei fundo e senti meu coração se partindo em um milhão de pedacinhos, mas levantei a cabeça com a certeza de que tinha conseguido vencer mais um desafio. Entrar naquele ônibus e passar por todas essas lembranças doeu e só eu sei o quanto doeu, mas saí dele certa de que sou mais forte do que pensara ser.

Eu, meu cobertor e meus fones

Nunca gostei do frio, da chuva, do tempo nublado. E isso tem muito mais a ver com o preto e branco que esses dias passam do que com o clima em si. Acordo, ainda escuro. Olho pela janela, sem sol. Quero meu cobertor e meus fones, só. Andar por aí em dias assim é deprimente. A cada passo, um pensamento ruim. O cinza remete tristeza, me traz de volta aqueles pensamentos que os dias ensolarados me fazem esquecer. É, não vale a pena sair de casa. Não vale a pena trazer tudo isso a tona, mais uma vez. Em casa, eu, meu cobertor e meus fones.

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Nublado

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Ventava lá fora… Cheguei na janela e não havia estrela alguma. A lua não brilhava no céu, estava tudo nublado. O tempo e minha vida. De nada adiantaria ter brilho no céu sem o brilho dos seus olhos por perto. O sol não tocaria meu rosto de manhã. Nem você. Certamente choveria de madrugada. E nessa hora eu lembraria de seus beijos. Lembraria das minhas lágrimas que você já enxugou. E daí surgiriam todas as lembranças. Todos os abraços, sorrisos, brincadeiras e conversas passariam pela minha mente. E ao fechar os olhos veria você novamente. E assim, sem dormir, eu passaria a noite. Mais uma vez…